Bambuí registra 2º início de ano mais chuvoso em 34 anos

Os dois primeiros meses de 2026 entraram para a história climática de Bambuí. De acordo com dados da Estação Climatológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o município registrou 503 milímetros de chuva em janeiro e 341 milímetros em fevereiro, somando 844 milímetros no bimestre  . O volume impressiona porque, em apenas dois meses, já representa mais da metade da média anual histórica da cidade, que é de 1.434 milímetros.

A análise da série histórica confirma a dimensão do fenômeno: o acumulado de 2026 é o segundo maior já registrado para o período de janeiro e fevereiro nos últimos 34 anos, ficando atrás apenas de 2008, quando o bimestre somou 914 milímetros. Ainda assim, o cenário atual se destaca pela intensidade e pela constância das chuvas nos dois meses consecutivos.

Outros anos considerados chuvosos ficaram abaixo do registrado agora. Em 2020, o acumulado foi de 790 milímetros, enquanto em 2022 chegou a 758 milímetros. Já em 2004 foram 684 milímetros, e em 2009, 664 milímetros no mesmo período. Os números reforçam o caráter excepcional do início de 2026.

O impacto desse volume elevado é sentido diretamente no dia a dia da população. Nas estradas rurais, o excesso de água favorece a formação de atoleiros, erosões e valetas, dificultando o transporte escolar, o deslocamento de moradores e o escoamento da produção agrícola. Na área urbana, a intensidade das chuvas contribui para o surgimento de buracos, desgaste precoce do asfalto e sobrecarga no sistema de drenagem.

Apesar dos transtornos, ações preventivas adotadas pelo município ajudaram a reduzir significativamente os impactos. A construção de quase 200 barraginhas teve papel fundamental ao reter a água da chuva, diminuir a força do escoamento e reduzir processos de erosão. Além disso, essas estruturas contribuem para a infiltração da água no solo e a recarga de nascentes. Sem esse conjunto de intervenções, a situação poderia ter sido muito mais crítica, tanto na zona rural quanto na cidade.

Mesmo com os desafios impostos pelo clima, a Prefeitura intensificou as ações de resposta durante todo o período chuvoso. Equipes foram mobilizadas de forma contínua para minimizar os danos e garantir a mobilidade da população.

Segundo o prefeito, o balanço, apesar das dificuldades, é positivo.

“Mesmo diante de um período de chuvas tão intenso, com um dos maiores volumes já registrados em nossa história recente, eu considero que conseguimos superar bem esse desafio. Sabemos que os impactos são inevitáveis, principalmente nas estradas rurais e no asfalto da cidade, mas desde o início das chuvas nossas equipes estiveram nas ruas e no campo, trabalhando sem parar.

Já realizamos a operação tapa-buracos em mais de 200 pontos, com um investimento superior a 180 mil reais, e seguimos avançando. Paralelamente, nossas equipes estão atuando diretamente nos pontos mais críticos das estradas rurais, garantindo o acesso dos moradores e o escoamento da produção.

Além disso, as quase 200 barraginhas construídas ao longo do município tiveram um papel fundamental. Sem elas, os danos seriam muito maiores.

Seguimos com planejamento, responsabilidade e presença constante, trabalhando para recuperar o que foi afetado e preparar Bambuí para enfrentar cada vez melhor situações como essa.”

Além dos desafios estruturais, o período também trouxe benefícios importantes, como a recuperação de reservatórios, melhora das pastagens e condições favoráveis para a produção agrícola. Ainda assim, especialistas destacam que o principal desafio está na intensidade e concentração das chuvas em curtos períodos, como ocorreu neste início de ano.

Com isso, o bimestre de janeiro e fevereiro de 2026 se consolida como um marco climático recente em Bambuí, evidenciando não apenas a força das chuvas, mas também a importância de planejamento e investimento contínuo em infraestrutura para enfrentar eventos cada vez mais intensos.