Bambuí sente o peso da desigualdade tributária e vê distância crescer para Araxá e outras cidades da região

Levantamento divulgado na semana passada pelo G1, com base em dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), escancarou a concentração da arrecadação no país: apenas 100 municípios respondem por 77% de toda a arrecadação de tributos nacional. Entre eles, nove são mineiros — Belo Horizonte, Betim, Contagem, Uberlândia, Juiz de Fora, Nova Lima, Uberaba, Araxá e Extrema. Fora dessa lista está Bambuí, que mantém as contas equilibradas e a gestão em dia, mas ainda enfrenta as limitações típicas dos municípios de porte médio do interior mineiro. O cenário reforça a desigualdade tributária entre as cidades, inclusive dentro de Minas Gerais.

Araxá arrecada em dias o que Bambuí leva meses para atingir

Com arrecadação total estimada em R$ 131,7 milhões em 2024 e PIB per capita de cerca de R$ 32,5 mil, Bambuí mantém os compromissos em dia, oferece serviços públicos essenciais e investe com responsabilidade. Mas a diferença em relação à vizinha Araxá é marcante. Impulsionada pela mineração, pelo turismo e por grandes empresas como a CBMM, Araxá tem PIB per capita superior a R$ 80 mil e arrecada, em poucos dias, o que Bambuí leva meses para somar.

Enquanto Araxá conta com royalties minerais e alta arrecadação de ICMS, Bambuí depende majoritariamente de receitas próprias mais modestas, repasses federais e estaduais e da força da sua economia local — baseada em serviços, agropecuária e educação. Mesmo assim, ambas enfrentam responsabilidades semelhantes: manter a saúde funcionando, investir em escolas, cuidar das estradas e garantir políticas públicas básicas.

Outras cidades próximas também arrecadam mais
Formiga, com base industrial e comercial mais sólida, obtém valores expressivos de ISS e ICMS. Luz e Campos Altos se beneficiam da presença de indústrias e do setor energético. Piumhi, com forte vocação turística, também tem arrecadação superior. O contraste mostra como a desigualdade fiscal entre municípios vizinhos tem impacto direto na capacidade de investimento e na qualidade dos serviços.

O prefeito Firmino Júnior afirmou que Bambuí tem feito um trabalho firme e responsável para manter o equilíbrio fiscal e a qualidade dos serviços públicos, mas reconheceu que a estrutura tributária do país é injusta com as cidades médias e pequenas “Bambuí faz o dever de casa. Trabalhamos com planejamento, transparência e responsabilidade. Mas o sistema tributário brasileiro é desigual e penaliza os municípios do interior”, disse o prefeito. “Enquanto algumas cidades arrecadam em poucos dias o que nós levamos meses para alcançar, as nossas obrigações são praticamente as mesmas. Ainda assim, temos mantido as contas em dia e seguimos investindo no desenvolvimento da cidade.”

O secretário municipal da Fazenda, Alan Jorge Oliveira Cipullo, destacou que o município tem atuado para melhorar a arrecadação própria e aprimorar os processos internos, garantindo eficiência no uso dos recursos. “Bambuí vive a realidade de muitos municípios médios: temos uma economia sólida, mas limitada. Não contamos com grandes indústrias ou mineração, então nossa arrecadação é fruto do esforço do comércio local, do campo e dos pequenos empreendedores”, explicou. “Mesmo com orçamento enxuto, conseguimos manter os serviços essenciais e investir com responsabilidade. Esse equilíbrio é uma conquista de todos os bambuienses.”