• Bambuí, 27 de Setembro de 2020

Firmino Júnior: O que é ser solidário?

Eu não sei você, mas creio ser esta uma questão bem controversa. Já vi gente que acha que a solidariedade é ajudar uma senhora a atravessar a rua, é dar comida a um pedinte, visitar um orfanato ou fazer doação de brinquedos e roupas que as pessoas não usam mais. Eu já vi gente também dizer que ser solidário é ajudar alguém em um momento de grande necessidade ou ainda consolar um amigo que vive um grande sofrimento. E de fato, é também.

Pensando em tudo isso, parece complicado definir essa palavra tão grande e de tão amplo significado, não? Será que ela é uma mistura de tudo o que já foi citado anteriormente ou será que ela é bem mais simples do que parece? Como adoro desafios, acho que tentarei defini-la por minha própria conta, sem uso de dicionários ou frases de efeito.

Solidariedade para mim depende da fase da vida. Vou explicar melhor. Uma criança, por exemplo, a meu ver, é solidária quando divide o único pacote de biscoito com o coleguinha, ainda que ele tenha merenda. Na adolescência, creio que uma jovem rebelde e louca para desafiar a mãe é solidária quando fica feliz pela amiga que conseguiu um namorado bonitão. Na fase adulta, vejo um homem ser solidário quando levanta de madrugada para ninar seu filho que acabou de nascer ao invés de acordar a esposa. Na velhice, uma pessoa é solidária quando se dispõe a escutar outra da mesma faixa etária, ainda que ela se perca com as palavras.

Eu sei que parece meio ingênuo minha explicação sobre solidariedade, mas esse é meu objetivo, pois vejo que a solidariedade verdadeira só existe quando é feita com ingenuidade, ou seja, sem esperar reconhecimento. Solidariedade para mim tem que ser espontânea, sem cobrança, sem esperar receber nada em troca. É claro que não desmereço aqueles que têm tempo de ser solidários semanalmente, por meio de doações e visitas a pessoas que precisam; uu mesmo como membros de clubes de serviço, faço isso de forma relativamente contínua. Minha intenção é apenas valorizar aqueles pequenos atos que não são reconhecidos, mas que tem o mesmo valor que ações grandiosas.

Assim, creio que todo mundo pode ser um pouquinho solidário diariamente e em qualquer etapa da vida, pois, ser solidário é bem fácil. Afinal, uma risada de uma piada sem graça, uma divisão de biscoitos, um cuidado com filho são atos que não custam, não doem e não cansam! E você? Já foi solidário com quem você ama hoje?

FIRMINO JÚNIOR é professor do IFMG Câmpus Bambuí, jornalista e mestre em comunicação formado pela PUC Minas.


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