STF determina que Bolsonaro cumprirá prisão definitiva na PF

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (25/11) a prisão definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumprirá regime fechado pela condenação no processo da tentativa de golpe de Estado. A decisão ocorre logo após o STF declarar que a ação transitou em julgado, impossibilitando novos recursos.

Bolsonaro permanecerá na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde já estava preso preventivamente por outra investigação — a de coação no curso do processo. Moraes também fundamentou a determinação ao constatar risco de fuga, apontado, entre outros fatores, pela tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.

Condenações relacionadas ao caso

Além de Bolsonaro, o STF também declarou encerrados os processos de:

  • Alexandre Ramagem (PL-RJ) — deputado federal e ex-diretor da Abin, condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias, por usar a estrutura da agência para monitorar adversários políticos e reforçar narrativas golpistas. Ele está foragido nos Estados Unidos.

  • Anderson Torres — ex-ministro da Justiça, condenado a 24 anos em regime fechado, por fornecer suporte jurídico e manipular forças de segurança em favor da tentativa de ruptura institucional.

Já Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, pelos seguintes crimes:

  • Organização criminosa armada

  • Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito

  • Golpe de Estado

  • Dano qualificado pela violência

  • Grave ameaça contra patrimônio da União

  • Deterioração de patrimônio tombado

Encerramento do processo e recursos

Na segunda-feira (24/11), encerrou-se o prazo para a apresentação de segundos embargos de declaração, e a defesa do ex-presidente optou por não recorrer.

Ainda há a possibilidade de apresentação de embargos infringentes até o fim da semana. Esse tipo de recurso, no entanto, só é admitido quando existem ao menos dois votos pela absolvição, o que não ocorreu — apenas o ministro Luiz Fux divergiu da condenação.

Com o trânsito em julgado e a ordem de execução da pena, Bolsonaro passa agora à condição de preso definitivo, iniciando o cumprimento da sentença sob responsabilidade da Polícia Federal.

A reportagem segue acompanhando os desdobramentos jurídicos e políticos das decisões.