• Bambuí, 09 de Dezembro de 2019

Por que o tema da redação do ENEM deu o que falar? Por que é tão importante democratizar o acesso ao cinema no Brasil?

Convido você a vir comigo numa CONEXÃO cinematográfica. Afinal, todo mundo merece desfrutar das maravilhas da Sétima Arte, não é mesmo? Quem já entrou no escurinho de uma sala de cinema para assistir a um filme na tela grande com certeza foi transportado para outra realidade e saiu de lá diferente. A deliciosa experiência é mais que um entretenimento. O cinema é uma arte que agrega todas as outras: a dramaturgia, a música, a dança, as artes plásticas, a moda, a tecnologia ... Enfim, desde a sua invenção em 1895, o cinema registra os mais diversos costumes dos povos. Ele forma cidadãos mais críticos. Ocorre que muitos brasileiros nunca foram ao cinema. Então a escolha do tema da redação da edição 2019 do Enem foi muito oportuna. Se houver a democratização do acesso ao cinema no Brasil, começo até a imaginar os mais de 5 mil estudantes que fizeram o Enem engajados para engrossar o coro do movimento para reivindicar essa democratização.  
 

Você sabia que o Brasil tem 5.570 municípios, mas existem apenas 3.347 salas de cinema? E para completar, 52% desses espaços se concentram no Sul e no Sudeste – regiões mais ricas do país. Os dados são da Agência Nacional do Cinema Brasileiro (Ancine) levantados em 2018. Bambuí é um ótimo exemplo. O Cine Martins – único da cidade – fechou as portas na década de 80. Ele ficava bem na praça central. Hoje em dia, a maioria das salas de cinema está nos shoppings das grandes cidades e o ingresso não é barato. Resta à maioria se conformar com os filmes exibidos nas tvs (abertas e fechadas) e na internet. Enquanto isso, os filmes produzidos no Brasil estão cada dia mais bem-feitos. Eles vêm recebendo prêmios nos principais festivais do mundo, mas não têm muito espaço de exibição por aqui – uma irônia. Essa triste realidade pode ser modificada pelas políticas públicas. Mas será que o governo, o mesmo que aplicou as provas do Enem, está preocupado em dar ao povo o acesso ao cinema? Neste ano, ele acabou com o Ministério da Cultura. A pasta virou uma secretaria do Ministério da Cidadania e nesta semana foi transferida para o Ministério do Turismo. E a principal lei de incentivo que previa financiamento para filmes e festivais que disponibilizam cinema de graça até em cidades que não têm salas não funciona mais.

Mostras e festivais, como o FORUMDOC.BH coordenado pela bambuiense Júnia Torres, oferecem cinema de graça e filmes de várias partes do mundo  

Trabalho como repórter de cinema no Canal Brasil (da Globosat) há seis anos. Fico impressionada com a quantidade de eventos financiados por leis de incentivo à cultura que oferecem programação gratuita com oficinas para capacitação profissional. Em alguns casos, esses recursos permitem até a montagem de salas de cinema em praças públicas para pessoas de todas as idades. É o caso das mostras de cinema de Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte e do Forumdoc.BH. Eventos assim fazem crescer a economia criativa e geram muitos empregos em vários setores. Só para dar uma ideia, o setor audiovisual movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano. O valor representa 1,67% do PIB. A cada R$ 1 investido no cinema, o retorno é de R$ 2,60 em tributos.
 

O Festival do filme Documentário e Etnográfico (forumdoc.bh) de Belo Horizonte vai rolar agora em novembro no Palácio das Artes. A coordenação geral do evento é da Júnia Torres, bambuiense que há 23 anos se dedica de corpo e alma à realização desse evento, que é referência internacional. “Considero fundamental organizar projetos gratuitos de cinema para
democratizar o acesso a filmes que nos levam a refletir sobre o
mundo no qual estamos inseridos e que atuam para ampliar nosso
conhecimento e a sensibilidade. Eu me sinto realizada ampliando o alcance do cinema de qualidade para um número maior e mais diverso de pessoas”, celebra. Júnia conta com as leis federal, estadual e municipal de incentivo à cultura para produzir o festival.

Fica o convite à reflexão sobre o nosso direito de acesso ao cinema e a dica para prestigiarem o Forumdoc.BH. O festival começa no dia 22 de novembro e vai até 1º de dezembro, com entrada franca! Eu te espero lá... e deixo aqui o site com todos os detalhes:  https://www.forumdoc.org.br/

CONEXÃO

Daniela Vargas nasceu em Bambuí, é jornalista, especializada em Gestão Cultural, repórter do Canal Brasil e das Mostras de Cinema de Tiradentes, Ouro Preto e BH, produtora de conteúdo, mestre de cerimônias e colunista da TV Bambuí.

E-mail: conexaodanielavargas@gmail.com 
Facebook: Daniela Vargas
Instagram: danivargasbh


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