• Bambuí, 12 de Novembro de 2019

Crimes cibernéticos disparam e expõem fragilidade tecnológica no Brasil

Foto: Carl DE SOUZA/AFP

Diariamente, são registrados pelo menos 366 crimes cibernéticos em todo o país. O levantamento mais recente, feito em 2018 pela associação SaferNet Brasil, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), contabilizou 133.732 queixas de delitos virtuais, como pornografia infantil, conteúdos de apologia e incitação à violência e crimes contra a vida e violência contra mulheres ou misoginia e outros. 

Em comparação ao ano anterior, a quantidade de ocorrências deu um salto de quase 110% – em 2017, a associação registrou 63.698 denúncias. Um fator que contribui para a ação criminosa, na visão de especialistas, é o descuido da população quanto ao uso de ferramentas que protejam os aparelhos celulares das invasões de hackers. Apesar de ser impossível estar 100% a salvo, o mínimo de precaução pode reduzir as ameaças à privacidade de cada um.

“Utilizamos os celulares intensamente. Eles são dispositivos que contêm dados individualizados sobre o que cada um de nós pensa e como nos comportamos. Portanto, por eles serem um grande guardião de informações sobre nós mesmos, são necessários cuidados com relação à segurança deles. Vivemos em uma sociedade onde a vigilância está se incrementando”, diz o professor Jorge Henrique Fernandes, do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ele, além do crescimento da quantidade de crimes cibernéticos no último ano, os recentes ataques a celulares de autoridades da República, como o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, mostram que o sistema telefônico é bastante suscetível à interceptação de mensagens.

“O sistema telefônico não garante o sigilo das comunicações de forma perfeita. O investimento das empresas tem sido mais para fazer com que o usuário não perca uma ligação ou conexão do que no sentido de impedir que essa conversa seja interceptada. Essa fragilidade é um problema mundial”, afirma. Para Jorge Henrique, atitudes mais convencionais, como a utilização de senhas para controlar o acesso a aplicações e a cópia de documentos importantes em outro dispositivo, são o primeiro passo para se resguardar da ação de invasores.


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