• Bambuí, 12 de Dezembro de 2019

Grupos de WhatsApp motivam 77% dos problemas nas escolas

Foto: Reprodução
Sabe aquela “treta” que volta e meia ocorre no grupo de WhatsApp da família, de amigos ou do trabalho? Ela também acontece nas escolas entre alunos e pais e, muitas vezes, os conflitos saem do aplicativo, chegam às salas de aula e se transformam em um problema sério para escolas, crianças e adolescentes. A quarta edição da pesquisa Escola Digital Segura, elaborada pelo Instituto iStart, apontou que 77,7% dos incidentes escolares envolvem o “inofensivo zap-zap”. Seis em cada dez colégios já tiveram casos de desentendimentos em grupos formados por mães ou por familiares dos estudantes.
 
A advogada Patricia Peck Pinheiro, especialista em direito digital e idealizadora do Instituto iStart, relata um desses papos polêmicos em um grupo de mães: “Uma delas disse: ‘vamos lembrar de colocar o desodorante na mochila das crianças’; a outra respondeu: ‘pior que aluno sem desodorante é criança com perfume barato’; e veio outra: ‘nem todo mundo é perua para ficar no shopping comprando perfume caro’; e mais uma: ‘não tenho culpa que você é pobre’”. A conversa, conta Patrícia, continuou na escola e foi parar na delegacia, porque algumas mães se sentiram ofendidas e não queriam mais que os filhos fossem da mesma sala.
 
Casos. Das 200 escolas pesquisadas em todas as regiões do país, mais de 80% registraram até 50 ocorrências digitais nos últimos dois anos – problemas gerados por grupos, ciberbulling e brigas motivadas por posts. “Temos agora a fofoca digital, aquele papo de corredor ou de praça, que vai ficando documentado no celular. Estamos muito deslumbrados com essa nova tecnologia. A gente tem orientado pais, alunos e comunicadores, que temos que buscar uma comunicação mais objetiva. Usar a ferramenta de uma forma ética e educada”, explicou Patrícia, destacando que a linguagem coloquial do brasileiro por mensagem gera diferentes interpretações.
 
A cultura do uso de emojis (aqueles ícones divertidos) também pode causar desentendimentos. “Um jovem pega aquele emoji do cocozinho e manda, a pessoa pode achar engraçado ou pode achar que mandou um cocô. Se for aqueles que tem corações e beijinhos, pode parecer excesso de intimidade”, ilustrou Patrícia. Mas hoje, é raro conhecer alguém que não tenha o WhatsApp no celular. O fato é que as crianças estão levando o aparelho para escola cada vez mais cedo, antes era com 12 anos, agora, informou a advogada, há crianças de 6 anos com celular. “A inclusão digital tem que ser feita com educação”, ponderou ela. 
Abordagem
 
Sala de aula. Em 70,3% das escolas ouvidas pela pesquisa, os conteúdos pedagógicos ou atividades específicas envolvem o tema da ética e segurança digital.

Compartilhe:

COMENTÁRIOS