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Negligenciada, esquistossomose tem transmissão descontrolada no MA

Créditos: Publicada em 19/07/2015 às 09:17:45
Foto: Clarissa Carramilo/G1

A esquistossomose ou barriga d'água, doença que pode ser erradicada com medidas de saneamento básico, ainda ameaça as cidades da Baixada Maranhense, de acordo com o estudo do infectologista Raimundo Cutrim, do Departamento de Medicina da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O médico doutor em Doenças Tropicais pesquisa as formas de contágio da doença há 30 anos e garante que não há controle da transmissão no Estado.

Sem registros detalhados sobre a enfermidade, o pesquisador recruta acadêmicos periodicamente para realizar atendimento voluntário nas cidades de maior incidência. O G1 acompanhou o grupo em Cururupu e São Bento, no norte maranhense. Em apenas uma manhã, foram diagnosticados 35 novos casos da doença. A Secretaria de Estado de Saúde informou que não há registros em 2015, enquanto o Ministério da Saúde exclui o Maranhão dos Estados que pertencem à área endêmica. Para o pesquisador, há algo errado na conta.

"É preciso ter cuidado. A situação é de alerta. O governo federal negligenciou, entregou tudo para Estados e municípios e alguns não estavam preparados para receber, não tinham funcionários, a coisa não foi tão bem. De São Luís até Belém, tem até mil localidades com prevalência de esquistossomose, mais de mil", afirma.

Em Cururupu, município com pouco mais de 31 mil habitantes, há 23 estabelecimentos municipais de saúde e dois privados. Somente 4,1 mil, de aproximadamente 7,3 mil residências, possuem abastecimento de água encanada. A rede de esgoto é predominantemente formada por fossas sépticas e rudimentares. A incidência de pobreza é de 62,91%, de acordo com dados do IBGE.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença é causada pelo Schistosoma, parasita que necessita, além do homem, da participação de caramujos de água doce, do gênero Biomphalaria, para completar seu ciclo vital. Na fase adulta, o parasita vive nos vasos sanguíneos do intestino e fígado do hospedeiro definitivo.

Vida no rio
O ambiente de rios somado ao panorama de abandono da saúde pública são determinantes para o descontrole na transmissão da esquistossomose. Nos povoados quilombolas Aliança e Ceará, os moradores são categóricos em afirmar que ninguém se livra de contrair o verme.

"Todos! Todos! Todos os que estão vivos e os que já morreram, não escapou nenhum aqui no pedaço do caramujo. Essa região é o lugar que tem mais resultado desse verme. Quando chega lá na Funasa, já é conhecido o Ceará", conta o lavrador José Rodrigues.

Na comunidade onde os moradores se mantêm da produção e venda de farinha de mandioca e da criação de animais, as casas são de barro e palhoça, não há água encanada e nem esgoto. A rotina ligada ao rio contribui para a disseminação dos casos.

"Eu acho que falta é saneamento básico. No caso, dentro da comunidade, a distribuição de água, né? Tem muitas casas que às vezes pega a água ainda na cacimba, próximo ao rio, então, eu acredito, com o pouco conhecimento que eu tenho, que isso prejudica muito. Se tivesse assim uns tanques pra pessoa trabalhar nas casas do forno. No caso, seria o município ter mais atenção na distribuição de água. Tanto que preocupa que isso tem forçado algumas pessoas até a mudar, tá fazendo um esforço com pouca condição. E evita as pessoas que vêm, as vezes parente que mora longe”, completa.

Barriga d'água
Uma vez contraída, a esquistossomose pode causar coceira, febre, tosse, diarreia, enjoos, vômitos e emagrecimento. Na fase crônica, há o aumento do fígado e do baço, hemorragia no esôfago e dilatação do abdômen, característica que dá à doença o nome popular de barriga d'água.

O idoso Raimundo Cornélio, de 82 anos, convive com a esquistossomose há anos. Com a barriga volumosa, os pés inchados e dificuldades para falar e se locomover, ele não entende como contraiu a doença, que o leva a extrair sete litros de água por dia do abdômen.

Dados
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou ao G1 que foram confirmados 115 casos de Esquistossomose no Estado em 2014. A cidade com maior incidência é São Luís, com 48 casos, seguido de Tutoia com 32 e Maranhãozinho e Pastos Bons, ambos com 12 casos. Em 2015, ainda não há nenhum caso confirmado.

A SES destaca ainda que a efetivação do Programa de Controle da Esquistossomose é de responsabilidade direta dos municípios. O Estado dá suporte na capacitação dos recursos humanos das equipes municipais, realiza supervisão direta e monitora as ações de prevenção. Além disso, fornece os kits para preparação dos exames de detecção da doença e distribui o medicamento específico (Praziquantel 600 mg) para o tratamento dos casos positivos.

Em nota ao G1, o Ministério da Saúde diz que a estimativa é de que, no Brasil, cerca de 25 milhões de pessoas vivem em áreas sob o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Sudeste e Nordeste são os mais afetados, sendo que a ocorrência está diretamente ligada à presença dos moluscos transmissores.

Atualmente, a doença é detectada em todas as regiões do país. As áreas endêmicas e focais abrangem 19 Unidades Federadas e compreendem os Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais (predominantemente no Norte e Nordeste do Estado).

Para o Ministério, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas. O Sistema de Informações do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (SISPCE) mostra que, nessas áreas, foram realizados 360.820 exames em 2014, com 16.246 casos positivos.

Nas áreas não endêmicas, os casos são detectados nas unidades de saúde, ambulatórios ou hospitais e notificados e registrados no Sistema de Agravos de Notificação – Sinan. Em 2014, ocorreram 5.953 casos no Brasil, sendo 18 no Maranhão.

Não existem vacinas contra a esquistossomose. A prevenção consiste em evitar o contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários. O tratamento para os casos simples é domiciliar.

O praziquantel, na apresentação de comprimidos de 600 mg é administrado por via oral, em dose única de 50 mg/kg de peso para adultos e 60mg/kg de peso para crianças. Como segunda escolha, a oxamniquina apresenta cápsulas de 250 mg e dose de 15 mg/kg para adultos e solução de 50 mg/ml e dose de 20 mg/kg, para uso pediátrico. Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e tratamento cirúrgico.

Fonte: G1

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