• Bambuí, 11 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: Tempo de protesto

Foto: Divulgação

Numa vasculhada rápida pela Internet aprendi que a palavra protestar, como muitas, vem do latim protestare. Trata-se de um verbo que se refere ao ato de se realizar um protesto, ou seja, insurgir, reivindicar, discordar ou até mesmo reclamar de algo ou alguém. Significa também o ato de afirmar solenemente, de se comprometer, de prometer alguma coisa a alguém, por isso a expressão Cartório de Protesto. 

Cartórios à parte, talvez a palavra protesto tenha sido a mais utilizada pela imprensa brasileira nos últimos dias. É protesto contra e a favor a Dilma. É protesto contra a corrupção e a favor da volta da Ditadura Militar. É protesto pela Reforma Política (uma minoria). Tem protesto pra todo lado! Não há uma cidade, uma rodovia, um arraial sequer em que não se tenha ouvido pelo menos uma buzina, um grito, ou um panelaço “protestando” contra ou a favor de alguma coisa.

Na verdade, é inerente ao ser humano o ato de reclamar e protestar. Quem não é contra nada, não cogita mudanças, é que está fora da lógica e já se acomodou. Somos todos desacomodados por natureza. Buscamos novidades, coisas que nos atraiam e, muitas vezes, protestamos até quando não temos razão, o que não é o caso da grande maioria das pessoas que foram as ruas nos dias 13 e 15 de março.

De tudo isso faço um resumo: o melhor dos protestos é a possibilidade democrática. O simples fato de se poder protestar contra ou a favor a um governo constituído já é um ganho histórico para a humanidade. Ao longo dos anos fomos oprimidos. O Brasil, até bem pouco tempo atrás, possuía leis que legalizavam a escravidão (para a história 200 anos não são nada). No nosso país assistimos a várias tramas de opressão, muitas vezes calados. A opressão sempre reinou nessas bandas de cá. 

Hoje, é diferente. Dois gigantes acordaram. De um lado aqueles que defendem a permanência do governo, mas com uma mudança vertiginosa do status quo. Do outro, aqueles que querem fora o governo, mas também a reforma política, previdenciária, enfim, as tão faladas reformas de base. Confesso que achei lindo, tanto as manifestações do dia 13 de março, quanto as do dia 15, pois o Brasil que quero é esse mesmo, livre, pulsante, seja lá quem for nosso presidente ou presidenta.

O presidente estadunidense Abraham Lincoln eternizou uma definição sobre a política democrática. Segundo ele, democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Ora bolas, então o que vimos na semana passada foi justamente essa ação popular. O povo nas ruas é exatamente aquela definição sobre democracia que o presidente Lincoln nos deu. Aliás, uma definição que se aproxima e muito daquela proferida pelo ex-governador de Nova Iorque Alfred Emanuel Smith, que certa vez disparou: “todos os males da democracia se podem curar com mais democracia”.

Pense e reflita. Se hoje não está bom, e realmente não está, como você poderá contribuir? Outubro está chegando e quem sabe não é hora de você se filiar a um partido político para canalizar seus protestos para um parlamento ou cargo executivo? É óbvio que a política partidária não é a única forma de transformar a sociedade, mas com certeza, é um caminho que deve ser levado em conta na hora de examinar a sua consciência. 

Você faz falta. Sua participação popular, democrática, revolucionária, seja de esquerda, centro ou direita, com certeza tem muito a ajudar na construção de um país, um estado e uma cidade melhor de se viver. Insisto: Pense e reflita!

FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, jornalista e mestre em Comunicação é professor do Insituto Federal. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br.


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