• Bambuí, 10 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: #ordulhoalheio Rolihlahla

Foto: Divulgação

Dando continuidade a “trilogia” sobre as pessoas pelas quais sinto orgulho alheio, hoje apresento um de meus ídolos, talvez o maior, Nelson Rolihlahla Mandela, ou simplesmente Madiba, como era conhecido na África do Sul. Vale destacar que já falamos um pouquinho de Pepe Mujica (presidente uruguaio) e outro pouquinho de Evo Morales (índio-presidente boliviano).

Mas voltando ao Madiba, não há como começar o texto de outra forma a não ser lembrando como ele tratou a questão de sua eleição. Emparedado por seus correligionários para oprimir os brancos – que haviam perdido – Mandela foi enfático: “temos que mostrar a eles que não somos iguais a eles, não vamos oprimi-los e sim respeitá-los”. Poucos, quase impossíveis de encontrar, são os nossos governantes que pensam assim. Ao entrar na Prefeitura ou em algum cargo público o que fazem mais rapidamente é perseguir e expulsar, o oposto do que Tata (pai em africâner) fez.

Em 1993, foi vencedor do Nobel da Paz. Entretanto, antes da honraria, passara nada menos do que 27 anos preso numa cadeia suja e sem as menores condições de sobrevivência. Mas Madiba sobreviveu. Sobreviveu e dedicou praticamente toda a vida a causa dos direitos humanos, aliás, era advogado. Em sua homenagem, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, 18 de julho, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia. Foi a primeira vez que a ONU fez isso para uma pessoa em específico.

Mesmo tendo sido o mais destacado lutador contra o regime segregacionista do Apartheid, Nelson Mandela foi uma figura polêmica. Acusado de ser próximo de ditadores e até de ser comunista, Madiba nunca ligou para essas infâmias e seguiu em frente, na sua luta pela libertação da África negra, hoje exemplo para o mundo no combate ao preconceito.

Talvez a mais bela frase de Tata seja: “sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que fomos feitos para vivermos como irmãos”, mas com certeza, a frase mais certeira é: “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem, ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. #ficaadica.

Ah, e só para não deixar você na dúvida antes de encerrar a trilogia, explico que, segundo o Uol, o nome de nascimento de Mandela – Rolihlahla – tem origem na língua Xhosa e significa “aquele que ergue o galho da árvore”. Coloquialmente, também significa “encrenqueiro”. Seu nome em inglês, Nelson, foi dado por uma professora. Vale lembrar a coragem de Madiba: o governo do apartheid ofereceu soltar Mandela por seis vezes, mas ele se recusou. Em uma das ocasiões, ele divulgou um comunicado onde disse: “Eu me preocupo com a minha própria liberdade, mas eu me preocupo ainda mais com a de vocês. Que tipo de liberdade me está sendo oferecida enquanto a organização do povo permanece banida?”.

FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, é professor do Instituto Federal e da PUC Minas. Jornalista e mestre em Comunicação. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br


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