• Bambuí, 14 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: #orgulhoalheio 02

Foto: Divulgação

Escrevi semana passada que constantemente vejo publicado em minha linha do tempo do Facebook a expressão (ou hashtag?) #vergonhaalheia. Pois bem, pelo que entendi, as pessoas querem identificar atos que as fazem sentir vergonha por outras pessoas, no lugar delas, bizarrices infinitas. Casos como a volta da Ditadura Militar, Luiza no Canadá, homofobia de Levy Fidelix entre tantos outros são facilmente marcados com esse trocadilho. Desenvolvi o artigo explicando os motivos que me fazem ter orgulho do presidente uruguaio Pepe Mujica e terminei prometendo que falaria porque Evo Morales, o presidente-índio da Bolívia, merece nossa saudação. Então vamos lá...

É bem verdade que Evo teve alguns devaneios. Outrora, disse que em 20 anos faria da Bolívia um país mais desenvolvido que a Suíça. Quiçá, isso seria possível só se o único indicativo a ser analisado fosse a plantação e cultivo de coca. Mas, afinal de contas, a Bolívia não nasceu para ser a Suíça. Desde antanho, aquela nação foi considerada a favela da América do Sul, que era até a bem pouco tempo uma favela dos Estados Unidos da América. A Bolívia era então a favela da favela. E quem disse que a favela não pode ser um lugar justo? Quem disse que na favela não há pessoas de bem? Foi acreditando nessas pessoas de bem que o índio apareceu, como na letra de Caetano Veloso, que mas parece ter profetizado a reviravolta boliviana.

Disse Caetano: Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante / De uma estrela que virá numa velocidade estonteante / E pousará no coração do hemisfério sul / Na América, num claro instante / Depois de exterminada a última nação indígena / E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida / Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias. Eis aí a mais perfeita descrição de Morales que é filho da etnia uru-aimará – que ressurge no coração da América – e tem realizado a mais brilhante reforma agrária que vimos até hoje no mundo contemporâneo. É de dar inveja!

Discriminado, perseguido – ontem e hoje – Evo é um lutador pelos direitos dos mais pobres. Ele não teme o enfrentamento a grandes corporações e coloca os interesses nacionais sempre em primeiro lugar. Defende o cultivo de coca, como única fonte de dignidade do seu povo, mesmo que isso custe a repulsa internacional de todos os órgãos existentes. Apesar dos pesares, Morales ainda tem bom humor, por exemplo, quando disse que os EUA era o país mais seguro do mundo contra um golpe, já que não possui uma Embaixada dos EUA em seu território. Disparou também, certa vez, que “uma coisa interessante sobre a calvície, me perdoem meus amigos europeus, é que isso é quase uma doença na Europa. Quase todos são calvos lá, e isso é por conta dos alimentos que comem”. #ficaadica

Semana que vem, farei uma exposição sobre os motivos que me levam a ter #orgulhoalheio do grande Nelson Mandela, o libertador da África.

FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, é professor do Instituto Federal e da PUC Minas. Jornalista e mestre em Comunicação. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br. 


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