• Bambuí, 10 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: Resiliência: enverga, mas não quebra

Foto: Divulgação

Não sou nem um pouco bom em física, aliás, sequer razoável. Sempre fui aprovado mais pela piedade dos meus generosos professores do que propriamente por minha capacidade de calcular velocidade, distância e outras coisas mais. Entretanto, dia desses, perambulando pela internet – nem sei o motivo – deparei-me com um conceito dessa ciência exata que tem muito a ver com nossa vida cotidiana. O conceito era “resiliência”, que fui descobrir consultando o detentor de todas as vogais Aurélio, também atenderia pela alcunha de “resilência”.

Meio sem saber o que era, fui pesquisando até descobrir o verdadeiro significado. Pelo que entendi, resiliência diz respeito a propriedade que alguns materiais possuem de acumular energia e, quando são submetidos a forças maiores, aguentam e não rompem. Além de não quebrarem, depois da tensão em que são submetidos, esses materiais voltam – deformados ou não – ao seu estado natural. Pensei logo no exemplo do atleta de salto em altura. Ele vem correndo com a vara na mão e flexiona-a contra o chão. Logo, ele é jogado do outro lado pela elasticidade e energia acumulada pela vara, que volta ao normal, ficando exatamente como era mesmo depois de vergar-se ao máximo.

Pronto! Essa explicação já foi suficiente para que eu descobrisse que aquele conceito não havia caído em minhas mãos de graça e muito menos para calcular uma ou outra coisa. Logo notei que a resiliência pode ser aplicada em nossas vidas diariamente. Quantas e quantas vezes somos desafiados até o nosso limite? Quantas e quantas vezes somos colocados em situações que nos exigem reerguer a cabeça e dar a volta por cima? Caro leitor, com certeza, assim como eu, você também deve ter se lembrado de uma série de situações em que você teve que ser resiliente. Não foi?

Aliás, em muitos momentos, temos que ser mesmo como as varas que falei logo a pouco: envergamos, envergamos, mas não, não quebramos. Resistimos a toda e qualquer manifestação que queira nosso mal. É mais ou menos como o escritor Fernando Loschiavo Nery sempre diz: se lhe atirarem pedras, faça delas um grande castelo. Isso é ser resiliente! Isso é tirar do âmago a nossa capacidade de resistir, chegar até o limite, mas voltarmos ainda mais fortes do que antes. Deus nos fez assim, essa é a nossa natureza. Se você está se identificando e mais do que isso, precisando ser resiliente, pense no que eu disse aqui: insista, persista, mas nunca desista. Não é isso que dizem por aí?

Mas atenção, não se cobre mais do que deve e consegue. Tudo tem limite! Se Deus nos deu a capacidade de resistir, também nos permite ceder de vez em quando, sobretudo, quando é melhor. Siga o que diz o romancista norte-americano Scott Fitzgerald, segundo ele: “a vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas também pela capacidade de começar de novo”.

FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, jornalista e mestre em Comunicação. É professor da PUC Minas e do Instituto Federal. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br. Colaborou nesta coluna: Fernanda Carla de Oliveira.


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