• Bambuí, 20 de Agosto de 2019

Com três mineiros em campo, Brasil bate o Equador por 1 a 0

Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images/AFP

A Seleção Brasileira caminha a passos curtos para encontrar sua identidade. Nesta terça-feira (9), no segundo desafio da nova era Dunga, o time canarinho mostrou que precisará de mais tempo de trabalho para se encontrar, uma vez que venceu o Equador pelo tímido placar de 1 a 0, em duelo disputado na MetLite Arena, em Nova Jersey, Estados Unidos.

Apesar de magra, a vitória trouxe como boa notícia a volta das jogadas ensaiadas. Foi através de uma dessas que Willian anotou o único tento da partida, ao aproveitar passe açucarado de Neymar em cobrança de falta trabalhada com Oscar.

O próximo compromisso da Seleção Brasileira será no dia 11 de outubro, quando encara a Argentina, em confronto válido pelo Superclássico das Américas. A partida será disputada no estádio Ninho dos Pássaros, em Pequim, na China. 

Nova era

Ainda é cedo para apontar mudanças marcantes da nova “Era Dunga”. Porém, nesta terça-feira (9), quando a Seleção Brasileira teve seu segundo teste sob o comando do treinador, algumas características do grupo se destacaram durante o duelo contra os equatorianos.

A primeira foi a diminuição dos espaços. Não se sabe se Dunga quis implementar a nova moda de atuar em um perímetro menor do gramado, que tanto foi elogiada ao longo da Copa do Mundo. O certo é que a Seleção Brasileira se mostrou compacta ao defender e, principalmente, ao ligar o jogo. Tanto foi que poucos lançamentos foram observados ao longo dos 90 minutos, o que mostra uma pequena evolução na saída de bola.

A outra elogiável foi o uso de jogadas ensaiadas em bolas paradas. Durante o jogo, os comandados de Dunga mostraram algumas alternativas que vão além dos chutes diretos ou chuveirinho. A mais bem sucedida veio aos 30 minutos da etapa inicial, quando Oscar cobrou uma falta curta na meia-cancha, ao invés de chutar direto, como esperado. A bola chegou a Neymar e o capitão canarinho deu belíssimo lançamento para Willian, que flutuava entre defesa adversária. Ao receber a bola livre na entrada da área, o meia-atacante só teve o trabalho de escolher o canto e correr para o abraço. 1 a 0.

Mas nem tudo foi flores. Houve também pecados. Se acertou nas jogadas ensaiadas de bola parada e no posicionamento mais compacto, a Seleção Brasileira se mostrou ainda pobre na criação, muito dependente do contra-golpe. Tanto que a equipe canarinho criou apenas duas oportunidades reais de gol no primeiro tempo. Pouco para quem se espera muito.

Trio mineiro em campo

O segundo tempo trouxe uma boa novidade. Ao menos para os mineiros. Pela primeira vez, Tardelli, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart atuaram juntos na Seleção Brasileira. E até que a experiência trouxe bons resultados.

Nos 21 minutos que atuaram juntos ao longo da segunda etapa, o trio mineiro conseguiu deixar o ataque canarinho mais dinâmico, criando mais oportunidades de gol que outrora.

Tardelli passou a atuar mais próximo a Neymar, aparecendo mais no jogo, ao contrário do período inicial, quando se mostrou tímido. 

Deslocado para a direita, Everton Ribeiro conseguiu abrir brechas na defesa adversária, antes retraída. Foi ele quem mais se destacou em meio aos que falavam “uai”. O meia-atacante do Cruzeiro quase fez um belíssimo gol aos 29 minutos da etapa final, quando tentou encobrir Domínguez e exigiu boa intervenção do goleiro.

Ricardo Goulart, por sua vez, tinha como função auxiliar na saída de bola, se aproximando dos volantes, além de aparecer como elemento surpresa nas ofensivas. Não foi tão prestativo como é quando veste azul, mas, ao menos, se mostrou prestativo, ao buscar jogo constantemente.

Ao se expor com maior frequência, a Seleção Brasileira também deixou algumas brechas. Não fosse a boa participação de Jefferson, que fez uma defesa milagrosa em uma cabeçada de Rojas, e de Miranda, sempre seguro, o resultado final poderia ser bem diferente da vitória magra.

No final das contas, o amistoso valeu pela disposição em campo da Seleção Brasileira. Dunga vai ter muito trabalho para dar uma identidade ao time Canarinho e, assim, conseguir parear com grandes rivais. Porém, todo percurso tem um início. E ele foi bem ultrapassado.

Fonte: Wallace Graciano - Hoje em Dia


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