• Bambuí, 14 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: O mundo está farto de ódio

Começo o artigo dessa semana com uma citação de Mahatma Gandhi: “o mundo está farto de ódio”. A título de curiosidade, Mahatma vem do sânscrito e quer dizer “A Grande Alma”. Maior defensor e criador do Satyagraha, ou princípio da não-agressão, não-violência e verdade suprema, este hindui defendia, antes de tudo, o amor incondicional. Amor este que tem faltado muito à humanidade contemporânea. Alguns casos deixaram-me estarrecidos recentemente. O caso Bernardo Boldrini, o menino de 11 anos assassinado no Rio Grande do Sul, supostamente pela ‘mádrasta’, revelou claramente como o ódio pode ter movido uma ação insana, injustificável e descabida. E por falar em coisa descabida, outra grande demonstração de ódio foi o caso Daniel Alves... O lateral do Barcelona e da Seleção Brasileira protagonizou um episódio de racismo em que se viu envolvido durante um jogo entre seu time e o Villarreal pelo Campeonato Espanhol. O jogador passou a encabeçar uma campanha contra o racismo após comer uma banana que havia sido jogada no campo por um torcedor rival durante a partida. O preconceito e o ódio também foram exalados no Guarujá... Uma mulher de 33 anos, Fabiane Maria de Jesus, foi amarrada, arrastada e espancada por um grupo de pessoas no bairro de Morrinhos, no Guarujá, que fica na Baixada Santista. O linchamento foi motivado porque a população suspeitou que ela executava rituais de magia negra. Segundo a polícia, não há nenhum indício de que ela tenha praticado tais atos. Intolerância religiosa? Não somente. Infelizmente, o ódio exalado em nosso país-nação ainda segue a métrica da Lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Um lixo essa forma de pensar! Tanto no caso Boldrini, como no futebol ou no Guarujá, o ódio destilado por essa geração tem se acometido em todos os espaços. Seja nos campos, no sul do Brasil ou em qualquer parte da Terra, sim, “o mundo está farto de ódio”. O mestre da arte e da crítica cinematográfica Charles Chaplin disse certa vez que acreditava no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror e, infelizmente, parece mesmo que só isso tem nos sobrado. Sim, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há”, dizia o poeta musical Renato Russo. Precisamos amar mais e odiar menos. Temos, urgentemente, que silenciar para compreender e exercitar as paixões boas e os sentimentos nobres. O mundo já não aguenta mais tantas desavenças, ódios, injustiça (inclusive das autoridades constituídas) e desamor. No meu caso tenho tentado, sobre medida, ser como Jean-Jacques Rousseau, que comentou: “Amo-me a mim próprio demasiado para poder odiar seja o que for”. Por isso, tire aos poucos o ódio do seu coração e se ame para não odiar. Tente inundar-se de amor, perdão e gratidão e veja como a sua vida, de todos ao seu redor e de toda a humanidade, melhorarão vertiginosamente. FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, é professor na PUC Minas e no Instituto Federal, também jornalista e escritor, tem mestrado na área de Comunicação. Contato:

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