• Bambuí, 09 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: Família é catapora

Do Latim fâmulo, família quer dizer “que serve”. Com certeza, a etimologia desta palavra de sete letras está no cerne de seu significado. Família é servir. Uma família quando se forma, serve muito aos filhos, mas também aos pais. Serve a todos os parentes. Serve à sociedade. Serve a Deus, em muitos casos. A família é, para mim, o significado maior da existência humana. Somos indivíduos, únicos em torno de nós, entretanto, só somos o que somos por causa de nossas famílias. Sou feliz e eternamente grato a Deus por estar me permitindo a conviver com meus pequenos, Isabela e Henrique, os quais conjuntamente com a Susy, formam meu núcleo familiar. Tenho pai e mãe vivos, o que é uma dádiva. Mesmo separados do ponto de vista jurídico, formam uma família para Deus, já que da união dos dois, nasceu a Nanda, minha irmã, e eu, que fico por aí como a maioria de nós, pelejando para construir um mundo um pouquinho melhor. Há tipos e tipos de família. Algumas se formam da forma mais tradicional. Um homem e uma mulher se unem e dali nasce os filhos. Pronto, do ponto de vista pragmático e até jurídico, está formada uma família. Mas não é tão simples assim. O que determina a familiaridade não é a conjunção carnal, mas sim os sentimentos que brotam daquela relação. Se houver felicidade, amor, cumplicidade, aí sim, uma família tradicional se torna uma família. Algumas famílias também se formam por escolha. Alguns casais – ou por opção, ou por problemas ligados a fertilização – escolhem os filhos que terão. Procuram os mecanismos legais e consumam a adoção. Sobre isso, recorro a uma frase auto-explicativa do decodificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec: “Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os espíritos antes, durante e depois de suas encarnações”. Sobre o assunto, Luiz Gasparetto também dispara: “A verdadeira família é aquela unida pelo espírito e não pelo sangue”. Hoje, nos tempos hipermodernos, novos ‘formatos’ de família têm ficado cada vez mais comuns. Casais homossexuais têm conseguido judicialmente processos de adoção. Outros têm recorrido a técnicas científicas de fertilização. Por mais que isso ainda divida opiniões, não podemos esquecer que família quer dizer “que serve”, lembra!? Ainda têm os pais-avós, pais-tios, pais-padrinhos, etc., que cumprem uma bela missão na terra: a de ser pais, sem ter sido biologicamente! Pra terminar, fico com Benjamim Franklin, que pregava que a verdadeira riqueza de uma família não são os bens materiais que ela possui, mas sim Paz e Harmonia. Não há um manual que explica como se conduz uma família, mas tento, diariamente, fazer o melhor. Tudo que faço por minha família, estou fazendo também por mim. Não há nada no mundo que pague o abraço dos meus pequenos. Choro só de pensar... Jean-Paul Sartre, em minha opinião, deu a melhor descrição para o que é uma família, seja ela tradicional, adotiva ou alternativa (não gosto dessas expressões técnicas, já que família é família e ponto). Para ele, a família é como a catapora, a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida. FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, é professor na PUC Minas e no Instituto Federal, também jornalista e escritor, tem mestrado na área de Comunicação. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br

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