• Bambuí, 12 de Dezembro de 2019

Firmino Júnior: O que se diz antes da passagem

Bronnie Ware é uma enfermeira como outra qualquer. Aliás, enfermeiras são dessas profissionais que nós só damos o devido valor quando a coisa realmente aperta para o nosso lado. Como todas as suas colegas profissionais, ela aconselhou muitas pessoas no leito de morte, nos últimos dias aqui nessa dimensão. A partir dessas experiências, Bronnie escreveu um livro curioso: “The top five regrets of the dying”, ou seja, numa tradução livre, “Os cinco principais arrependimentos daqueles que estão à beira da morte”. Entre outras coisas ela conta que os pacientes ganharam uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas e que podemos aprender muito desta sabedoria. Então vamos lá... A quinta frase mais dita pelos ‘pesquisados’ foi: “Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz”. O único jeito de este não ser um de nossos arrependimentos é crer que a felicidade não é uma escolha, mas sim uma obrigação. Não devemos nos prender a velhos hábitos e padrões, eles só nos prejudicam. Devemos perder o medo da mudança, sair da zona de conforto. Aproveitar coisas ditas bobas, pagar mico, é uma vontade que nós não realizamos durante a vida. Não é!? Em quarto lugar figura: “Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos”. A verdade é que não percebemos as vantagens dos grandes amigos. Muitas vezes, não os reconhecemos. Envolvemos-nos tanto com nossas próprias coisas que deixamos boas amizades se perderem no tempo. Eu não tenho dúvidas que todo mundo sente falta dos amigos, dos grandes amigos, quando se está morrendo. Em terceiro lugar uma coisa simples: “Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”. Naturalmente suprimimos nossas sensações para ficar em paz com os outros, mas o resultado disso é uma existência medíocre, que nos tira a capacidade de ser feliz. Ser sincero com os outros, é ter sinceridade para com nós mesmo! “Eu gostaria de não ter trabalhado tanto”, essa frase a enfermeira conta no livro que ouviu de todos os pacientes do sexo masculino que atendeu. Os homens, no geral, contam que sentiram falta de ver a juventude dos filhos. Mas atenção mulheres, a enfermeira Bronnie ouviu, na maioria das vezes, senhoras de outra época, onde a vida das mulheres se resumia as duras tarefas do lar. Não tenho dúvida, que em muito pouco tempo, essa frase também será comum na vida de vocês. Infelizmente! Na ponta da lista, a principal queixa de quem está à beira da morte, não poderia mesmo ser outra: “Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”. A enfermeira conta que quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e têm de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. Então, não seria hora de mudar? Deixo a questão para reflexão, sem maiores comentários... Cuide-se bem. FIRMINO JÚNIOR, bambuiense, é professor na PUC Minas e no Instituto Federal, também jornalista e escritor, tem mestrado na área de Comunicação. Contato: firmino.junior@yahoo.com.br

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