• Bambuí, 12 de Novembro de 2019

Vinho produzido por bambuiense é destaque no Festival Artesanal de Diamantina

“Grandes vinhos requerem um doido para cultivar, um sábio para vigiar, um poeta para fazer e um apaixonado para beber”. Ao citar o dito popular entre os vinicultores, Leonardo de Andrade afirma: “eu sou o doido”. Mas um doido feliz, que gosta de desafios e está literalmente colhendo o fruto de um investimento que começou em 2011, na cidade de Diamantina. Lá acontece a segunda edição do Festival Artesanal de cervejas, queijos e vinhos.

Leonardo nasceu em Bambuí, mas vive na cidade Patrimônio Cultural da Humanidade há mais de 30 anos. Ele se mudou para lá com a esposa Patrícia, que também é bambuiense, para ser diretor da Andrade Gutierrez. As filhas do casal, Júlia e Luciana, nasceram lá. Depois de anos extraindo diamantes, veio a aposentadoria. Aí Leonardo deu início a outra atividade preciosa: a produção de vinhos na Fazenda Quinta do Campo Alegre. Ele conta que no início era um hobby. Agora prevê envasar 8 mil garrafas de vinho, mas a capacidade da vinícula é de 100 mil por ano. “Nosso objetivo é devolver à cidade de Diamantina o título de grande produtora de vinhos de alta qualidade e fazer da região um grande polo de enoturismo no país. Afinal, quem viaja atrás de bons vinhos também consome gastronomia, cultura e história”.

Sabia que Diamantina foi o berço da produção de vinhos no Brasil?

Essa história curiosa e pouco conhecida data do século XIX. De acordo com Leonardo, as primeiras uvas foram trazidas por padres que vieram de Portugal e da Espanha para abastecer de vinho o clero da região da histórica Diamantina. Lá as mudas encontraram o terreno ideal: solo arenoargiloso, uma altitude de 1.395 metros acima do mar, clima subtropical úmido e temperaturas que variam entre 3º e 28º. Mas na época da ditadura, Minas perdeu o cultivo da bebida. “Sabe-se que devido a uma doença nos vinhedos, o governo militar decidiu transferir a estação enológica com toda a sua estrutura e profissionais para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Assim a viticultura aqui praticamente terminou, restando só histórias”, revela.  

A retomada se deu em 2011, quando um professor da região trouxe à tona essa história e propôs um projeto experimental a 13 produtores rurais. Cada um plantou 400 mudas. A primeira safra foi em 2013. Dois anos depois, eles já estavam engarrafando vinhos de qualidade. A produção é limitada, com controle agronômico das vinhas e utilização da poda do ‘ciclo invertido’. A técnica é aplicada somente no inverno para obter vinhos de qualidade diferenciada.

Além de produtor, Leonardo de Andrade preside a Associação dos Vitivinicultores e Olivicultores de Diamantina e do Alto Jequitinhonha. A Quinta do Campo Alegre é a maior vinícula da região. Leonardo produz azeite, além de vinhos de cinco qualidades de uvas: Syrah, Tempranillo, Malbec, Tannat e Sauvignon Blanc. Esse último foi premiado no Festival Internacional de Vinhos de Belo Horizonte deste ano.

Um festival para harmonizar vinhos, queijos e cervejas artesanais

De 18 a 20 de julho, Diamantina recebe a segunda edição do Festival Artesanal de cervejas, queijos e vinhos. O evento é considerado um sucesso pela prefeitura. Os 2 mil leitos de hotéis e pousadas da cidade estão ocupados com turistas e apreciadores dessas três delícias. A despeito de estar perto da região do Serro, os queijos do festival são produzidos lá mesmo em Diamantina. Leonardo afirma que o sabor e a textura dos queijos de Diamantina lembram muito o queijo artesanal da Serra da Canastra.

Quem conseguiu garantir o passaporte para o festival vai ter muitas atrações. Além de degustar, vai poder visitar as fazendas e vinícolas para acompanhar a produção de queijos, cervejas artesanais e vinhos em workshops e vivências com mestres queijeiros e sommeliers cervejeiros e de vinhos. Se você ficou de fora... e com água na boca para experimentar, principalmente os vinhos da Quinta do Campo Alegre, o Leonardo avisa que as porteiras de sua fazenda estarão sempre abertas para os conterrâneos.  “É uma alegria incrível poder oferecer um produto de qualidade que leva felicidade para as pessoas”.

Outra opção é comprar pela internet. A CONEXÃO vai fazer uma visita à vinícula. Para encomendar a bebida dos deuses, a filha Luciana Duarte de Andrade oferece os canais de contato: lduartedeandrade@yahoo.com.br, Instagram @quintadocampoalegre ou o telefone (31) 99195-0402.

Com esse clima frio fica a dica para os bambuienses: que tal harmonizar um vinho Campo Alegre com o premiado Queijo da Santa, hem?! Divirta-se e depois me conte o resultado! 

 

Daniela Vargas nasceu em Bambuí, é jornalista, especializada em Gestão Cultural, repórter do Canal Brasil e das Mostras de Cinema de Tiradentes, Ouro Preto e BH, produtora de conteúdo, mestre de cerimônias e colunista na TV Bambuí.

 

CONEXÃO

Daniela Vargas nasceu em Bambuí, é jornalista, especializada em Gestão Cultural, repórter do Canal Brasil e das Mostras de Cinema de Tiradentes, Ouro Preto e BH, produtora de conteúdo, mestre de cerimônias e colunista da TV Bambuí.

E-mail: conexaodanielavargas@gmail.com 
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