• Bambuí, 11 de Dezembro de 2019

Quadrilha é presa por invadir contas bancárias para pagamento de IPVA com falso desconto

Foto: Simon Nascimento

Seis pessoas foram presas suspeitas de integrarem uma quadrilha que invadia contas bancárias para pagamento de taxas do IPVA e outros débitos públicos. De acordo com a Polícia Civil, os boletos eram de clientes angariados pelos criminosos por meio de fraudes eletrônicas. O grupo também realizava abordagens presenciais, em que os integrantes se passavam por amigos de funcionários da Secretaria de Estado e Fazenda.

Eles usavam a justificativa de que as contas seriam pagas com 30% de desconto, oriundos de benefícios fiscais da pasta. Conforme a delegada Sinara Rocha, a organização era chefiada por um hacker, de 32 anos, que já havia sido preso em 2002 por estelionato. Um outro homem apontado como chefe do grupo é um motorista da Prefeitura de Betim, de 33 anos.

Os criminosos começaram a ser investigados no início do ano passado, quando um banco denunciou que clientes tiveram contas invadidas. À época, a informação era de que eles movimentaram R$ 90 mil. “Onze clientes da quadrilha foram localizados e informaram que foram atraídos por um benefício fiscal que estava sendo oferecido pela Secretaria da Fazenda”, disse a delegada.

Segundo ela, os clientes repassavam aos criminosos 70% do valor total do boleto. “O grupo criminoso, através do hacker, fazia o pagamento do valor total do boleto, mas usando o dinheiro da conta corrente de uma terceira pessoa de boa fé que foi invadida”, acrescentou. 

A delegada não soube precisar o período de atuação da quadrilha. Entretanto, a corporação acredita que os crimes são praticados desde 2002, período em que o hacker foi preso. “Eles atuam há bastante tempo. Por enquanto, temos indícios de que a atuação tenha sido só em Belo Horizonte. O público-alvo eram pessoas que estavam em grupos de compra e venda de veículos, além de vendedores de automóveis", informou a delegada.

Além dos presos, seis carros de luxo, como BMW e Porshe, foram apreendidos em mansões. Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos em Juatuba, Sarzedo, Betim, BH e Contagem. Os carros deverão ser usados para ressarcir as vítimas do golpe, garantiu Sinara.

Conforme as investigações, um dos mecanismos utilizados pela quadrilha era o de envio de e-mails, como se os membros fossem funcionários de instituições financeiras, solicitando alteração de dados cadastrais. Um link era gerado às pessoas. Ao clicar, o hacker conseguia obter os dados bancários para invadir as contas. 

Aos policiais, ele disse que utilizava um software que impedia o envio da localização do computador usado por ele. Entretanto, em determinado momento da investigação o programa foi desativado, permitindo assim a localização do criminoso. 

“A princípio, temos identificado o crime de violação de dispositivo eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Eles estão presos temporariamente, mas provavelmente haverá conversão em prisão preventiva”, finalizou a delegada. As pessoas que contrataram o serviço também podem ser presas pelos mesmos delitos, caso a Polícia Civil identifique que elas tinham ciência de que estavam participando de um golpe. 

O Hoje em Dia procurou a Prefeitura de Betim e a Secretaria de Estado de Fazenda e aguarda posicionamento. A Federação Brasileira de Bancos também foi procurada, mas ainda não se manifestou. 

Recomendação 

Um dos delegados responsáveis pela investigação, Francisco Abelha alertou que a população não deve clicar em links suspeitos. Segundo ele, em grande parte dos crimes digitais, os bandidos conseguem ter acesso aos dados dos usuários por meio de falsas correspondências eletrônicas. 


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