• Bambuí, 09 de Dezembro de 2019

Mundo está próximo de nova extinção em massa de animais

Foto: Reprodução

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revela uma grave preocupação com a diversidade animal do mundo. Mais de 30% dos vertebrados estão em declínio, restando apenas 20 ou 30 anos para que a humanidade consiga deter a extinção completa de espécies como rinocerontes, gorilas e leões.

“Essa é uma aniquilação biológica que acontece em nível global, mesmo que as espécies às quais essas populações pertencem ainda existam em algum lugar da Terra”, afirma Rodolfo Dirzo, professor de biologia da Universidade de Stanford, um dos autores do estudo publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (Pnas). “Trata-se de um ataque ameaçador contra as bases da civilização humana”, acrescentou.

A diminuição das populações de animais selvagens é atribuída a alguns fatores, como o desaparecimento de seu habitat, o consumo excessivo de seus recursos, a poluição, o desenvolvimento de espécies invasivas e o surgimento de doenças. As mudanças climáticas também influenciam, e assumem um papel cada vez mais importante. “Várias espécies de animais que estavam relativamente seguras havia dez ou 20 anos, como os leões ou as girafas, agora, estão em perigo”, segundo o estudo.

Pesquisa. Pesquisadores da Universidade de Stanford e da Universidade Nacional Autônoma do México fizeram um mapa da distribuição geográfica de 27,6 mil espécies de pássaros, anfíbios, mamíferos e répteis, uma amostra que representava cerca de metade dos vertebrados terrestres conhecidos.

Eles também analisaram a queda de população em uma amostra de 177 espécies de mamíferos, a partir de dados colhidos no período de 1900 a 2015. De acordo com o levantamento, esses animais perderam territórios, não ocupando nem 30% das zonas geográficas em que estavam distribuídos. Além disso, cerca de 40% dos mamíferos perderam mais de 80% de suas áreas originais.

Os mamíferos do sul e do Sudeste Asiático foram os mais afetados, de acordo com os pesquisadores. Nessa região, todas as espécies de animais de grande porte analisados perderam mais de 80% da sua área geográfica.

Conforme o estudo, cerca de 40% dos mamíferos existentes – entre eles rinocerontes, orangotangos, gorilas, além de grandes felinos – sobrevivem em 20%, ou menos, dos espaços em que viviam no passado.

Cronologia. A Terra sofreu, até hoje, cinco extinções em massa, sendo a última delas a dos dinossauros, há 66 milhões de anos. Segundo a maior parte dos cientistas, uma sexta está em curso.


Planeta conta com apenas 20 mil leões

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, restam apenas 20 mil leões no mundo. “Essas perdas maciças em termos de populações e de espécies são um prelúdio do desaparecimento de muitas outras espécies. Elas representam o declínio dos ecossistemas que fazem com que a civilização seja possível”, adverte Gerardo Ceballos, principal auto do estudo.

O leão Panthera leo, por exemplo, estava presente na maior parte da África, no sul da Europa e no Oriente Médio até o noroeste da Índia. Agora, ficou reduzido a populações dispersas pela África subsaariana, com uma população residual na floresta de Gir, no oeste da Índia. “A imensa maioria das populações de leões desapareceu”, indicam os autores.

Os pesquisadores fazem um apelo para que sejam realizadas ações contra as causas do declínio da vida selvagem, especialmente contra a superpopulação e o consumo excessivo.


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